Olhos Vivos
Ção Pestana

Espaço Mira, Porto
24 de novembro a 5 de janeiro de 2019

CONVITE DA EXPOSIÇÃO

BIOGRAFIA

Assunção Pestana nasceu no Funchal, em 1953.
Artista visual e professora universitária.
Possui bacharelato em Cine-Vídeo (1986), licenciatura em Arte, Arqueologia e Restauro/DESE (1990), mestrado em História Ibero Americana (1996), doutoramento em Didática e Organização Educativa (2011).
Na qualidade de investigadora na área artística tem participado, como palestrante, em diferentes congressos e publicado em atas/artigos nos domínios da das Artes Visuais, TICS e Educação Artística.

Em 1975/1978, Ção Pestana inicia a sua intervenção pública e artística no CAPC e no Coletivo GICAPC/CAPC.
Em 1979, com a exposição "Anéis de Vénus", no CAPC, inicia o se percurso artístico individual. Com Wolf Vostell mantém uma ligação de trabalho duradoura: participa e coopera em diferentes eventos do Museu Vostell, realizando vários trabalhos no domínio da performance, dos quais se destacam: “Como Tu Boca” (1979)/“Comidas Portuguesas”(1979).
Foi membro do grupo Inter-Criatividades, CAPC, entre 1979-80.
Realiza varias exposições individuais, das quais destacamos “Anéis de Vénus”, CAPC, e “Vénus/Ção”, CAPC, e participa em exposições coletivas: “Artistas Portugueses de Hoje”, Museu de Arte Moderna de S.Paulo, Brasil, “50 Anos de Arte Portuguesa”, Museu Calouste Gulbenkian, “Uma questão de Género”, Edifício Axa, Porto, “30 Anos da Bienal de Vila Nova de Cerveira, Exposição dos Artistas Premiados”, “Line Up. As Esposas da Arte”, Conferencia - Performance, CAPC, “Horizonte Móvel-Uma Perspectiva sobre as Artes Plásticas na Madeira 1960-2008”, Museu de Arte Contemporânea do Funchal, “Experiência da Forma II”, Museu de Arte Contemporânea do Funchal, “Espacio P. 1981-1997”, Centro de Arte Dos de Mayo, Madrid (2017), LABoral Centro de Arte, Gijón (2018) e TEA - Tenerife Espacio de las Artes, Ilhas Canárias (2018).

A sua obra integra as coleções do Museu de Arte Contemporânea do Funchal, do Espacio P. (Pedro Garhel), Madrid, e Museu da Bienal de Vila Nova de Cerveira.

A sua obra reescreve a iconografia feminina. Ção Pestana reflete sobre o tempo, a memória, as relações de poder, a marginalização, a tortura e as questões de género. Intervenciona os registos visuais das suas performances, (re)criando, assim, novas peças.
A influência da Ciência no seu trabalho (Ção Pestana começou por estudar Medicina) é visível na utilização de elementos próprios dessa área: trabalha com caixas de Petri nas quais coloca, por exemplo, soluções de glicose e bolor juntamente com pedaços de fotografias.
Desenvolve performances, presenciais e/ou registadas em diferentes suportes, nomeadamente a performance “Alternâncias”, que recebe uma Menção Honrosa na III Bienal de Vila Nova de Cerveira, em 1982.
Em 1983 realiza a instalação/performance vídeo “Ária II”, financiada pela SEC, que apresenta na Galeria Árvore, no Porto.
Foi membro do “VídeoPorto”, grupo de videastas no Porto.
Desenvolve vários trabalhos em vídeo, com destaque para a peça “Alternâncias”, com composição sonora de Aldo Brizi, com a qual ganha o prémio de videoarte portuguesa da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1986.
Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1987, em Madrid, apresenta um extensa produção artística nesse período.
Em 2005 é homenageada pelo grupo IMAM.
Participa em diferentes Bienais de Vila Nova de Cerveira, como por exemplo: a 15ª Bienal, em 2008, com a instalação “Imagens Cínicas”, sobre a questão da relação entre imagem e memória (obra pertencente ao Museu de Vila Nova de Cerveira); a 16ª Bienal de Cerveira com a instalação “Welcome”, constituída por uma réplica de um cabine de votação; a 19ª Bienal, com "Infras 1/2" (fotografia digital) e a 20ª Bienal com "Telegénic", em 2018.
Em 2016 expôs individualmente na Fábrica Social – Fundação José Rodrigues, Porto, onde apresentou a instalação "Refuseds", interrogando-se sobre o lugar/espaço dos recusados.

SINOPSE

Ção Pestana nasceu no Funchal, em 1953.
Artista visual e professora universitária.
A obra de Ção Pestana desenvolve-se num período compreendido entre finais da década de setenta e a atualidade.
Esta assume-se, numa perspetiva conceptual e formal, abrangente e intermedia, tanto no trabalho realizado em grupo como no trabalho realizado individualmente.
Uma das particularidades da sua obra prende-se com a capacidade dos seus registos, em diferentes suportes/materiais, se apresentarem reconvertidos em novos registos intervencionados, projetando, desde logo, séries visuais/recortes visuais atípicos. Neste sentido, as suas imagens denotam as variadas geografias e arquiteturas onde o processo de reconstrução/recriação se foi desenvolvendo e insinuando, ou ainda o modo como as mesmas se foram plasmando.
De referir que a assunção/denúncia do corpo público/corpo politico/ corpo feminino significante é assumido como vetor determinante em todo o seu percurso e compromisso estético, apoiado numa estratégia definida pelo uso de diferentes suportes, técnicas e registos, como sejam: a pintura, a escultura, a fotografia, a performance, a instalação e o vídeo.
Ainda neste trajeto criativo entrecruza os seus registos visuais: partindo de registos visuais temáticos individualizados, como se de esboços se tratassem, converte-os em novos elementos narrativos na (re)produção de guiões fotográficos/videográficos, gerando, desde logo, novas propostas multimédia.
Assim da conceção à apresentação, o seu processo criativo é assumido na maioria dos trabalhos, como ele próprio, o objeto artístico, numa relação direta com a conceção arquitetónica, processual, que tanto carateriza esta obra.

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